a pintora
2009/06/20
a pintora pinta de dentro da sua carne o exterior cinzento
inventa civilizações com cores, sangue e sons
com gestos simples constrói mundos
destrói segredos
revela personagens escondidas pelo arredondar do tempo
descobre que um segredo é um desejo íntimo de revelar o escondido
e que ter um desejo é um segredo íntimo
ter um íntimo é um desejo de cada pincelada
cada gesto
velando o sono de desconhecidos perplexos
monges do irracional
ninguém precisa de gente dessa a macerar painéis
uma outra – um olhar
a pintora precisava apenas de uma tela… sob o seu corpo