a pintora

2009/09/28

Na minha mesa de cabeceira tenho cinco garrafas de cerveja vazias.
A pintora veio cá dormir a casa.
Dormiu bebida pelo fermento da cerveja e em embalos nos meu braços.
Já acordou, nem sequer me sorriu.
Nos seus sapatos rasos enfiou, em bico, os pés.
Na mão direita uma mala castanha que chocalhava. Uma mala bem presa pelos dedos pontiaguados, de unhas gastas iguais às das galinhas solteiras.
Voltou à mesa de cabeceira, organizou-a, guardou as tampas das bebidas e correu ansiosa. Espalhava o resto do sono e um chocalho com jeitos de guizo.
A pintora já não pinta, colecciona galos de Barcelos e faz-lhes chapéus com cápsulas de super bock.

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